quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

As necessidades sobrepõem-se...


A parte animal do ser humano por vezes enoja-me.

Estas necessidades fisiológicas que o nosso corpo necessita e as quais a mente não controla podiam ser descartadas. Porque é que o coração é apenas um órgão que bombeia o sangue e te permite viver e não é apenas um símbolo metafórico para os teus sentimentos? E porque é que os sentimentos não são sentidos no verdadeiro significado da palavra e não passam de reacções hormonais que o teu cérebro efectua?

Dás por ti a permitir que a parte carnal te comande. O desejo é tanto. A dor é intensa. É uma necessidade que quase te faz acreditar que se não a alimentares não consegues sobreviver. Chegas a um ponto que se torna desespero. Cedes. E quando o momento acontece… percebes que a falta de carinho é superior à falta de sexo. Enoja-te o que estás a fazer. Repudias-te contigo mesma. Finges que os gemidos são de prazer quando na verdade são de dor. A vontade é de desaparecer daquele quarto, de nunca mais ver aquela pessoa que não passa de um objecto que usaste naquela noite a pensar que podia satisfazer-te. Tentas despachar o assunto o mais rápido possível. Estás-te a cagar se a pessoa vai ficar com má impressão tua. Ele pode pensar que és uma má queca. Óptimo. Pode ser que nunca mais queira olhar para ti e é um favor que te faz.

Bazas.

Choras o caminho todo até casa. Odeias-te.

Perguntas-te como foste capaz de ser tão puta.

Concluis que faz parte de seres humana. No entanto, percebes que a tua insatisfação se deve à falta de amor, de alguém que te ame. Não te recriminas mais.

Queria voltar a flutuar...


http://www.fotolog.com.br/esdificilseryooo/57225782

As memórias tiraram o dia para me assombrar.

Hoje queria contrair aquela doença chamada amnésia.

Esquecer a palavra paixão.

Não me lembrar que nutri qualquer tipo de sentimento por seres do sexo masculino.

Esforço-me diariamente para me completar com o que tenho na vida.

Ocupo os meus dias a fazer as coisas que gosto.

Preencho o meu tempo com pessoas de quem gosto e, essencialmente, que gostam de mim.

A família e os amigos… completam-me. Quando estou com eles não me sinto sozinha.

Mas falta aqui qualquer coisa. Há um vazio que aumenta a cada dia que passa.

Pergunto-me como é que o “nada” consegue ter tanto peso. Não era suposto remeter-se ao que o próprio nada implica?

E nestes momentos a memória é traiçoeira pois obriga-nos a pensar no que é mais recente. Parece que o nosso cérebro tem uma certa dificuldade em vasculhar lá no fundo do baú. A tendência é sempre para aquele passado quase presente. E dói lembrar, pois a ferida ainda não cicatrizou e por mais que saibas que ela não vai infeccionar, ela está lá, ainda a sentes a arder.

Seria bem mais saudável lembrar algo do antigamente. Uma história que com o passar dos anos já consegues recordar como tendo sido lindíssima e da qual tens uma justificação para ter terminado.

Mas não. O par de neurónios que possuo, hoje implicou em focar a sua atenção na última aventura que vivi e que até hoje não consigo decifrar se foi real ou se não passou de uma ilusão. Tento fazer uma comparação com paixões anteriores e de certa forma encontro um padrão. Não nas pessoas em si, mas nas histórias. Todas elas implicaram um desafio. Será que é isso que me move, que me faz sentir borboletas na barriga? Será que se me tivessem provado a realidade do momento eu teria perdido o interesse?

Recordo-me que desta última vez eu estava feliz por sentir que finalmente tinha encontrado alguém com quem fazia uma troca de valores justa. O comércio de sentimentos que se fazia sentir era equilibrado para ambas as partes. Se iria ou não perder o interesse comercial mais tarde, não sei responder. As pesquisas de mercado são feitas perante os factos que se apresentam no momento. Podem-se fazer planos de negócios, mas é necessário saber quais as prioridades dos clientes e o que é que leva à sua satisfação. Talvez se ainda estivesse a negociar contigo, colocava em cima da mesa os meus desejos e vontades e pedia-te para me forneceres os produtos/serviços. Bastava haver comunicação.

Posso entender o porquê de ter terminado. Só não entendo o porquê de teres dado a entender que querias reatar, alimentando diariamente essa ideia, para no final desapareceres mais uma vez sem uma única explicação.

Fizeste tantas promessas que não cumpriste, disseste tantas palavras que nunca foram acompanhadas por actos, que conseguiste afastar-me a mim também. A tua falta de interesse fez com que eu me desinteressasse igualmente. O teu medo consequentemente assustou-me.

Olho para ti e não sei o que sinto. Se calhar não sinto nada. Reflicto. Relembro. Tu tornaste-te numa memória, mesmo quando estás no meu presente. Talvez por isso é que não me és indiferente.

Pergunto-me se o que quero é ter-te de volta. Não sei responder. A balança desequilibra. As incertezas são tantas. Será que as tuas palavras eram verdadeiras? Será que o que vivi contigo foi extraordinariamente intenso para os dois ou foi só para mim?

A frustração é enorme. Primeiro por não ter respostas às minhas dúvidas. E segundo, porque o encaixe que eu senti contigo nunca antes o tinha sentido. Custa-me ignorar os sinais que o meu corpo me dava quando estava contigo, pois demonstravam-me que havia algo ali que era único. Eu não preciso de beijar dezenas de homens para ter a certeza que beijos assim não se encontram ao virar da esquina. Eu só não afirmo que flutuei no último beijo porque a lei da gravidade me desmente, senão seria esse o meu discurso. E quantas pessoas irás tu encontrar na vida com as quais te identifiques tão bem? Eu já conheci meio mundo e decididamente nunca tinha conhecido ninguém que se assemelhasse tanto comigo como tu. Agora questiono-te: éramos assim tão parecidos, ou tu também eras daqueles que me dizia o que eu queria ouvir e não aquilo que querias dizer? Ai… se eu soubesse que foi tudo uma ilusão… morria aqui o que resta da vontade de saber, de questionar, de querer, de… te ter.

Mojo Pin


"Mojo Pin" is the first song on Jeff Buckley's 1994 album Grace.

In Jeff's words, "Sometimes if somebody you feel you need... the whole universe tells you that you have to have her, you start watching her favourite TV shows all night, you start buying her the things she needs, you start drinking her drinks, you start smoking her bad cigarettes, you start picking up her nuances in her voice, you sleep in safe sometimes the most dangerous thing... this is called Mojo Pin." (Astoria, London, UK, 18/01/95)

Reciclagem


Tal como um computador, o excesso de ficheiros no teu disco rígido torna-te mais lento, irritável a quem te rodeia, bla bla… Ora, se reciclares grande parte das coisas que não te fazem feliz na vida, consegues dedicar mais tempo àquelas que são importantes (sem ter de tropecar no que não interessa) e não tens tanto peso nos ombros! E se te arrependeres podes sempre "restaurar" algum dos itens antes de "esvaziares" a dita pasta.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Quero fugir e meditar...


http://www.dailyscrawl.com/seven-years-in-tibet

Como eu gostava de agarrar numa mala e ir para bem longe daqui. Ir para um país diferente onde não conhecesse ninguém. Começar uma vida nova. Estar sozinha.

Sinto que há coisas em mim que precisam de ser mudadas. Deparo-me com defeitos que não quero que façam parte de mim.

Preciso tanto de crescer… De aprender a viver com a solidão. De não depender tanto das outras pessoas. De não dar tanta importância às outras pessoas. Quero tempo para mim. Não quero cair mais na tentação de falar do que não devo com quem não devo. Não quero ser influenciada pelos conselhos dos outros. Quero ganhar segurança em mim. Saber quem sou e afirmar com orgulho todas as opções que tomar. Não quero mais sentir-me insegura sobre mim, sobre os meus actos.

Quero desaparecer para descobrir quantos amigos tenho de verdade. Quem são aqueles que no meu regresso ainda cá estarão. Quero estar longe para aprender a não ter tanta necessidade de partilhar as minhas tristezas, a minha felicidade, a minha vida…com quem não devo. Quero aprender a conhecer as pessoas antes de confiar nelas.

Quero aprender a controlar-me, principalmente no que diz respeito aos impulsos. Saber quais os meus limites. Aprender a lidar com a carência. Ou simplesmente aprender a gostar de estar sozinha e não me sentir carente.

Tenho obrigatoriamente que crescer à força, pois não me sinto bem com algumas das particularidades desta minha pele!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

No caminho certo!

http://clalima07.blogspot.com/2010/08/caminho.html


As saudades que eu tinha de mim, desta minha paz, da tranquilidade que o meu ser me dá, de estar sozinha, de não pensar em ninguém, de pensar em toda a gente, de escrever para mim, de desabafar para mim, de me ler, de me analisar, de me conhecer, de me questionar, de me responder, de me encontrar.

Depois de tanto tempo perdida, sabe mesmo bem ter-me reencontrado.

Amor Vs Paixão


http://www.instituto-camoes.pt/


Irrita-me profundamente perceber que a maioria das pessoas que me rodeia, quer sejam amigos ou simples conhecidos, não evolua sentimentalmente. Por vezes dá vontade de lhes gritar ao ouvido: creeeeeeeeeeeeeesce!

É ridículo ver gente adulta confundir paixão com amor. É triste assistir ao ultrajar do “Amo-te”.

Meus amigos, por alguma razão a nossa língua é complexa e possui várias palavras semelhantes mas cada uma delas com um significado próprio! Que tal começarem a pensar em português? Esqueçam a influência americana e a teoria dos Clã de que “devia ser como no cinema, a língua inglesa fica sempre bem e nunca atraiçoa ninguém”. Um “I love you” pode significar muita coisa como pode não significar nada do que estás à espera. Já o nosso português tem várias expressões, essas sim, que não atraiçoam nem quem as diz nem quem as ouve. Sintam meus queridos. Analisem. Quantifiquem. Qualifiquem. Vivam. Pensem. E aí sim, abram a boca e digam numa só palavra o que vos vai na alma. Porque a diferença de um “Gosto de ti” ou de um “Adoro-te” para um “Amo-te”, na minha humilde opinião, é indescritível!

O amor é um sentimento que nasce do conhecimento, da (con)vivência, requer tempo e dedicação. Não existe “amor à primeira vista”! Tu não amas quem não conheces. Podes nutri-lo por um(a) amigo(a) ou por alguém que imaginas que será o pai/a mãe dos teus filhos, a pessoa com quem pretendes envelhecer. Mas esse amor não nasce em dois dias, é construído.

Amar alguém é amar as suas qualidades, os seus defeitos, os seus pormenores, os seus tiques, os seus dias bons, os seus dias maus, a sua postura num dia de Inverno, a sua postura num dia de Outono, a sua postura num dia de Primavera, a sua postura num dia de Verão, o seu sorriso alegre, o seu sorriso tranquilo, o seu sorriso eufórico, o seu sorriso triste, o seu sorriso falso, o seu passado, o seu presente, o seu futuro.

E acredito que seja nas piores fases de uma vida que ele mais se revela, porque é quando tu sofres a par com outra pessoa, quando choras ao vê-la chorar, quando moves montanhas para lhe colocar um sorriso na cara, quando corres este mundo e o outro só para lhe dar um abraço, quando a sua ausência te consome o interior de saudade, quando não conseguires imaginar a sua morte, quando percebes que a sua existência é um dos alimentos para a tua sobrevivência, aí sim tens a certeza absoluta que a amas.

Amar outra pessoa é deixá-la fazer parte de ti, é permitires que seja uma influência em ti, é seres quem és porque ela existe, é deixá-la ser as partículas de oxigénio que respiras e teres orgulho na combustão de carbono que consequentemente expiras!

Já a paixão não passa de uma atracção, em grande parte física, que vem e na maioria das vezes não fica, não evolui, simplesmente extingue-se. É aquele sentimento de desejo que sentes quando conheces uma pessoa que te atrai, aquele encantamento quando ela diz ou faz algo que te desperta o interesse, aquela ansiedade de a conheceres melhor porque acabaste de perceber que ela tem algo em comum contigo, são as borboletas na barriga, é o adormecer a pensar nela, é acordar e ser o teu primeiro pensamento, é não largares o telemóvel o dia inteiro só para ter uma sms ou um telefonema dela, é viveres dias/semanas/meses ansiosa, é a adrenalina do desconhecido.

E só existem três finais para a paixão: ou se extingue, ou se estagna não tendo futuro ou evolui e sobrevive a par com o amor.

E é quando duas pessoas apaixonadas descobrem que se amam e juntam os dois sentimentos que a chama se mantém e acontecem finais felizes.

Por amor de Camões, deixem de ultrajar a nossa língua e a vocês mesmos com palavras que não acompanham os vossos actos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O encantamento por uma ilusão vs a realidade de mais uma desilusão

O tempo passa e as experiências crescem e a única conclusão que tiro de todos os envolvimentos que tive até hoje é que não passaram de meras ilusões! Não queria de todo generalizar e criticar a classe masculina, pois talvez tenha tido azar ou tenha feito escolhas erradas… O que é certo é que todo o encantamento que senti e me fizeram sentir não passou de uma ilusão.

Não entendo porque é que “os homens” dão tanto quando me conhecem, elogiam, dizem que sentem isto e aquilo e depois de me terem encantado fogem. Parece que sou um troféu… depois da conquista arruma-se na prateleira e segue-se a próxima! Qual é a necessidade de exacerbar sentimentos que não passam de uma mentira? Alguém que me explique! Será que eles sabem o peso das palavras? Não seria mais verdadeiro dizer “gosto de estar contigo” ao invés de um “gosto de ti”. Para quê iludir as pessoas com farsas? Onde é que está o respeito? Porquê fazer promessas para um futuro quando ainda não há certezas? Para quê dar segurança quando se está inseguro?!

Oh raiva!

Os anos passam e as histórias repetem-se! Onde está a excepção à regra? Anseio tanto por viver algo real…

Pergunto-me se o problema estará em mim, nesta minha forma de encarar a vida e os sentimentos, nesta entrega total às ditas ilusões… Não quero deixar de ser assim, por mais que doa no final e por mais dura que seja a desilusão. Quero continuar a acreditar que existe por aí alguém em busca do mesmo “amor incondicional”, que valorize a minha rendição ao outro ser, ao sentimento, às palavras que são trocadas, aos gestos, à companhia, ao respeito, a tudo o que nos envolva. Essa pessoa existe, eu sei! Chamem-me inocente, chamem-me a eterna romântica, chamem-me o que quiserem!

Se o amor entre um homem e uma mulher não fosse tão essencial para o ser humano, então o “normal” seria haver mais pessoas solteiras do que comprometidas, certo? E não me venham com as tretas da “procriação”, pois hoje em dia uma mulher não precisa de um homem (ao seu lado) para ter filhos. É a lei da vida, sim. Mas o companheirismo, o sentimento entre dois seres é superior a ela. Acredito que a indispensabilidade da partilha de uma vida com outro ser humano seja uma necessidade tão básica como outras de nível fisiológico. O mundo está em constante mudança, muitos dos valores das antigas gerações não são os mesmos da geração de hoje, mas a necessidade referida mantém-se desde as eras mais remotas. O amor não nasceu ontem, sempre existiu. Assim sendo, respondo-me a mim mesma que o problema não pode estar em mim. Eu sim estou correcta! Sei o que quero, o que preciso e, acima de tudo, o que mereço.

Se ainda não sei o que é “amar” um homem não foi por falta de empenho da minha parte, muito menos de entrega. E se há coisa para a qual não tenho paciência é para esses jogos do “não podes dar demais se não perdes o interesse”, “tens de dar para trás”, “tens que fazer isto e aquilo”! Não, não tenho nada, porque eu procuro estabilidade emocional e gosto de me sentir especial, importante, adorada pela outra pessoa. Por isso não quero jogos! Quero entrega! Quero companheirismo! Quero alguém que busque o mesmo que eu! Bata as vezes que bater com esta cabecinha, chore o que tenha de chorar, erre o que tenha de errar, a luta vai continuar e o medo da mágoa vai ser bem escondido pois quando houver uma próxima pessoa vou sorrir e acreditar da mesma forma como se fosse a primeira vez!

Um dia vou passar da fase “estar apaixonada” para a fase “amar incondicionalmente”! (E aqui surgiu uma boa frase Nicola ahahaha)

I'm back!





















"Que estranho destino é o meu que apenas me consente paixões ardentes e me faz esgotar em amores improváveis."

José Manuel Saraiva








segunda-feira, 31 de março de 2008

Quando a inocência se vai...



Fonte da imagem: madalena.blogs.sapo.pt

Tantas vezes me elogiaram o sorriso. Inúmeras vezes me disseram que quando sorria o mundo se iluminava. E com certeza que perdi a conta à quantidade de sorrisos que ofereci àqueles que ao meu lado caminharam. Sorrir era para mim algo tão frequente como o simples acto de respirar. Sorria porque sim.
Hoje perguntam-me onde está o meu sorriso, aquele que me acompanhava a toda a hora em todo o lugar, fosse a rir ou a chorar.
Eu sei que vocês sentem falta dele, mas eu sinto mais!
Tenho saudades de sentir os lábios a rasgar, os olhos a brilhar, a face a arredondar. Queria acordar com a mesma vontade com que adormeço. Gostava de voltar a acreditar que sonhar era o caminho certo para ser feliz.
Mas, cada dia que passa mais a inocência se esvai entre as ruas molhadas por esta chuva que cai de mansinho.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Emptiness...

Imagem: Marília Campos


Por vezes sinto-me invadida por dúvidas. Desconfio de cada pensamento, de cada memória, de cada certeza incerta, de cada momento.
Outras vezes sou esbofeteada com acções inconscientes que vêm provar, ou justificar, que tudo o que estou a viver não é uma ilusão.
Seria bem mais fácil não acreditar em mim mesma se não me deparasse a adormecer todos os dias agarrada a uma foto tua. Se cada vez que saísse à rua não olhasse para cada canto, cada parede, cada banco, cada pedaço de calçada, cada café, cada porta, e não me lembrasse de ti. Mesmo que eu quisesse fugir tu estás em todo o lado, a toda a hora.
Esta cidade perdeu o encanto na hora da tua despedida.
É uma sensação de vazio que não tem descrição possível...
Aos poucos vou-me acostumando.
Tento acreditar que vai passar.
Quero crer na possibilidade do exagero de uma realidade simples que estou a tornar complexa.
Não sei mais o que pensar, o que dizer, muito menos o que fazer.
Limito-me a vaguear entre a multidão que me rodeia seguindo trajectos desenhados pela solidão.
Nestas alturas sabe bem ser cega, surda e muda. Só eu sei o que sinto, o que não sinto, o que quero, o que deixo de querer, o que tenho como certo e o que é incerto.

Oh tempo, passa rápido…

Resta esperar...

Imagem: Louisa Schlepper


Errar é humano. Eu errei. O meu erro foi subestimar o que sentia. Acreditei que a distância iria amenizar o sentimento. Que no dia em que fosses embora iria sentir-me aliviada. Que iria pensar “acabou, não há mais nada a fazer”.
No entanto os últimos dias têm sido os mais difíceis da minha vida. As memórias invadiram-me o pensamento e não dão espaço para mais nada. Acho que voltei a viver mentalmente cada momento, cada toque, cada sorriso, cada abraço, cada carícia, cada palavra…
De repente senti um arrependimento brutesco por não ter sido egoísta. Não lutei por ti, pois na altura pensei que seria preferível ficar a sofrer sozinha do que obrigar-te a ir embora a sofrer também. Devia ter lutado. Devia ter-te dito que o que sentia não era passageiro e que ia atrás de ti até ao fim do mundo. Mas o certo é que também tinha medo das dúvidas que rodeavam a nossa realidade. Sabia o que sentia, mas não tinha a certeza do que tu sentias. E mesmo que o sentimento fosse mútuo, nem tu nem eu poderíamos dar certezas quanto a um futuro juntos. Então, simplesmente fiquei no silêncio…
E se eu tivesse lutado? E se tivesses ficado? E se, e se, e se?... Não existe nada tão frustrante como a realidade das incertezas…
Tenho a certeza que também sentiste algo, mas fugiste. Fugiste de ti, de mim e de tudo o que envolvesse a palavra sentimento, pois teme-lo tal qual a dor. Foi a atitude mais racional, eu sei. Também tentei fazer o mesmo. Infelizmente não consegui. Era bem mais fácil se tivesse a certeza que não sentias nada. Mas cada vez que os teus olhos fugiam dos meus denunciavas-te. Podias mentir com o corpo todo, mas esqueceste-te que os olhos são o espelho da alma.
Como é que momentos tão intensos não poderiam ter significado nada para ti? Ninguém consegue ser tão frio para ficar imune a tudo o que vivemos. A força de cada abraço, o arrebatar de cada beijo, a ternura do entrelaçar das mãos... se não fosse um sentimento partilhado não teria tido a intensidade que teve.
Sendo eu quem sou, como posso simplesmente aceitar uma derrota vinda de um adversário tão fraco como a distância? Ou será que quem me derrotou foi o medo, o teu medo?
O tempo pode até acalmar esta tempestade, mas será que haverá bonança? Ou será que tenho que ir até aos trópicos procurá-la? Eu não me vou acomodar a viver em constante Inverno, quanto muito vou atrás das andorinhas, pois sem sol, sem flores, sem borboletas, sem cor, a vida não tem brilho.


Sinto-me perdida. Não sei se o tempo será o melhor conselheiro ou se apenas tu terás o dom de me dizer qual o caminho que devo tomar…

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A incerteza do amanhã...

Imgem de Graça Loureiro

A vida dá muitas voltas…
Hoje temos ideais que amanhã chamaremos de tolices. Hoje amamos pensando que será para sempre e amanhã amaremos com o mesmo pensamento mas alguém diferente. Todos os dias aprendemos a viver, porque a nossa casa é a chamada “escola da vida”.
Irrita-me profundamente não saber se aquilo que sinto e penso se prolongará ou se cairá na efemeridade do tempo. Sei o que não quero, mas nunca tenho a certeza do que quero. Também sei que não sou a única a viver esta realidade, muito pelo contrário, toda a gente a vive, mas nem todos se preocupam com o amanhã.
Gostava de viver cada dia pensando que era o último, que a intensidade do hoje prevaleceria o pó em que me tornaria no amanhã.
Impossível.
Sou demasiado consciente para isso. Penso demasiado. Tenho medo de magoar quem me rodeia e principalmente de me magoar a mim.
Ontem achava que conhecia o amor, hoje conheci a paixão. Haverá diferença? E o que dizer quando aquilo que era tudo se torna em nada e de repente alguém se torna em algo. Não sabes bem como classificar o que sentes, pois um dia colocaste alguém num altar e depois a magia desfez-se sem dares conta. E agora? Como é que consegues saber se é mais uma ilusão ou se é mesmo realidade?
Comparas situações… relembras momentos… e chegas à conclusão que não existe comparação possível, mas mesmo assim a dúvida persiste!
Fecho os olhos e vejo-te, da mesma forma que te vi da primeira vez. Dá-me um arrepio. A química que compõe os nossos corpos fez reacção ao primeiro olhar e ambos explodimos ao primeiro toque.
Lembro como do nada me agarravas pela anca e dançavas comigo ao som da musica de fundo e me obrigavas a voar até outra realidade paralela; ou quando me deitava no teu colo e sentia o encaixe perfeito. Ao teu lado deixei fluir todos os meus desejos. O toque era mais intenso, o olhar era profundo, o beijo arrebatador. Nunca em toda a minha vida fui tão…eu mesma.
Agora tenho saudades das loucuras, dos abraços, do carinho, de tudo, de ti.
Mas será que amanhã sentirei o mesmo? Serás mesmo tu, ou será apenas a necessidade de ocupar o vazio que tende a não ser complementado?

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Deixem-me sonhar

Foto: Autor desconhecido


Qual será a distância do querer ao poder querer?
Qual será o melhor caminho para alcançar um sonho?
Qual será a opção correcta: acreditar na possibilidade ou na realidade do impossível?

Quase todos os dias o nosso pensamento é percorrido por muitas dúvidas, mas esquecemo-nos que quase todas elas não são nada mais nada menos que a luta entre a consciência e o coração. É triste eles não viverem em sintonia não é? Ela é cobarde. Ele sonha.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Uma colisão de sentimentos



Foto: imagem do filme Crash


Todos nós adoramos conversar com os nossos amigos sobre nós mesmos. Penso que é mais fácil para o outro conhecer-nos, do que nós nos conhecermos a nós próprios. Pelo menos comigo acontece. Por vezes quando alguém faz uma descrição sobre mim eu fico a conhecer aspectos da minha personalidade que não fazia ideia existirem.
Eu, quem sou eu?
Não, não vou escrever um texto sobre mim, nem sobre ninguém, pelo menos em específico. Não é essa a ideia.
Já deram conta de quantas vezes disseram a alguém “tens uma força invejável”. Penso que todos aqueles que vivem situações difíceis e as ultrapassam com coragem podem ser chamados de “fortes”, mas no fundo todos eles são invadidos por medo, tristeza, fraqueza... E quanto mais forte a pessoa se tentar mostrar, mais desamparada está ela, vos garanto.
Quantas e quantas vezes não basta um abraço, um sorriso, meia dúzia de palavras repletas de sentimento vindas de alguém que gostamos para nos sentirmos melhor. É tão bom termos amigos com quem podemos contar. Não me consigo imaginar sem um amigo com quem desabafar, sem um amigo a quem abraçar. Os amigos são mesmo o alimento que me dá vida.
Também sabe bem ouvir alguém dizer o quanto se orgulha de nós, principalmente quando é uma pessoa que nos viu crescer e seguiu todo o percurso que fizemos ate chegarmos onde estamos. Mas nem sempre temos esse prazer, pois a maior parte das vezes aqueles que estão mais próximos esquecem-se de nos dizer que gostam de nós, quanto mais valorizar os nossos actos.
Pais e mães que ignoram os filhos. Filhos e filhas que ignoram os pais. Avós que só sabem criticar a terceira geração em vez de abraçarem os netos que fazem parte dela. Nunca ninguém se lembra destas pequenas atitudes a não ser, às vezes, quando a morte bate à porta e é ponderada a quantidade de palavras que ficaram por dizer.
Tudo aquilo que mais queria era sentir o orgulho daqueles que me são próximos e a única coisa que ouço são criticas, estas sem fundamento.
Todos os meus amigos valorizam a pessoa que sou, e tu, tu que me devias conhecer melhor que ninguém, pois criaste-me, limitas-te a dizer-me que sou um fardo. Fardo esse, relembro-te, que te colocou pão e água na mesa por muito, mas muito tempo.
É triste quando lutamos por sonhos que são nossos e por sonhos que são deles, e nem aos nossos nem aos deles eles sabem dar valor.
Eu amo a minha família. Aquela família que a vida me deu a escolher. Os amigos!

terça-feira, 17 de abril de 2007

The voice of my soul



Finalmente descobri a voz da minha alma. Os sons da sua fala. Os acordes da sua transpiração. As frases da sua paixão.
Se cada vez que quisesse dizer algo a alguém e não me soubesse expressar saberia exactamente a quem recorrer. Porque cada vez que ouço a sua voz escuto-me. Cada vez que leio os seus poemas leio-me.
Ela faz-me chorar. Faz me sorrir. Ela mostra-me que estou viva, pois cada vez que a ouço sinto-a. Sinto-a dentro de mim, nas entranhas mais profundas. Dá vontade de me ferir, a mim mesma, de tanta dor que ela me provoca, mas sorrio de tanto prazer que isso me proporciona.
Porque ela sussurra-me ao ouvido as palavras que mais gosto de ouvir e por vezes de dizer. Palavras essas embaladas por sons que conjugados com as nossas duas almas juntas se tornam perfeitos, únicos.
A voz é masculina, mas não tem um tom grave. É sim uma entoação melódica, aguda, forte.
A paixão com que ela é atirada ao exterior nem parece vinda de um homem. É tão feminina. Tão minha.
Pergunto-me como pode uma voz assim ser tão delicada, tão penetrante…

Estou viciada.
Ela é a minha droga.
E agora? Existe algum meio de desintoxicação para ela?
Existe maneira de largar PLACEBO?




My tribute to Brian Molko from Placebo



PS: Hoje é o Dia Mundial da Voz e, quer acreditem ou não, só o descobri uns minutos após ter publicado este texto! Vá-se lá entender esta minha queda para as coincidências...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

A minha Nação anti-Prozac





Ao olhar em redor vejo uma nação viciada em Prozac. Médicos que se tornam dealers ao receitarem anti-depressivos. E um filme que demonstra isso mesmo.
Em qualquer parte do mundo vemos pessoas a darem espaço à tristeza, a darem lugar a lágrimas constantes. Fecham as portas a qualquer aresta de felicidade que possa querer entrar. A única coisa que vêem à sua frente é o mal que a vida pode oferecer e oferece. Esquecem que existe o lado bom.
Uma rua suja, vitrinas com roupas que ninguém pode comprar, pontas de cigarros em cada centímetro de chão, cafés com esplanadas cheias… é a imagem que muitos vemos diariamente. Ao caminharmos entre tudo isto observamos sorrisos, gargalhadas, abraços, olhares… e pensamos nós que estas pessoas são felizes. Serão mesmo? Aquilo que eu vejo é um disfarce constante. Olhos que não mentem. Pessoas que sorriem na rua e em casa derramam lágrimas sangrentas. Gente que pensa todos os dias em encostar uma lâmina aos pulsos.
Mas em que mundo vivemos nós?
Serei eu uma farsa?
Parece que não encaixo nesta Nação Prozac.
Por mais dor que sinta, por mais escura que pareça esta saída, por mais difícil que pareça aceitar uma perda, eu não me consigo sentir infeliz na totalidade do termo. Não aceito derrotas daqueles que me rodeiam. Não suporto conversas depressivas. Odeio ouvir alguém queixar-se disto e daquilo tendo em conta que o mal de que se queixam não é sequer comparável ao que já passei um dia.
Toda a dificuldade que se me apresenta é ultrapassada por mim com sabor de vitória. Todos os erros que cometi são enaltecidos. Todo o meu passado é responsável pela pessoa que sou no presente.
Não é de valorizar tudo isto? É o mal que nos fortalece! É a tristeza que nos faz saborear a alegria.
Muitos são os sonhos que não consegui realizar. Sentimentos que se perderam com o tempo, outros que por mais que devessem não se perdem. Mas, não é isto parte do chamado “viver”?
Não me venham com histórias de que a sociedade não vos aceita. Quem não se aceitar a si próprio nunca irá ser aceite por ninguém!
Sinto muito não ter paciência para ouvir aqueles que recorrem ao meu ombro quando se sentem tristes. Deixei de ter paciência para melodramas sem fundamento. Não suporto ouvir alguém dizer que ama este ou aquele quando no fundo não sabem sequer o significado do verbo amar. Pessimismo não é comigo.
Sinto muito que eu não encaixe nesse vosso “mundinho” triste.
Prefiro ser diferente.
Renuncio à vossa Nação Prozac.




Estas palavras foram dedicadas ao Joel.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Liberta-te

Foto: Autor desconhecido



Julgava eu que não iria encontrar assunto para um novo texto.
Que tudo o que iria sair dos meus dedos não teria o gosto amargo da paixão que outrora descrevia.
Enganei-me.
Continuo apaixonada, cada vez mais, pela vida linda que é esta, a que vivemos.

Um acordar com um raio de sol escondido entre uma aresta da janela. Um som de fundo que uma espécie voadora tende caracterizar cada amanhecer. Uma vontade enorme de respirar o exterior. Um passeio por caminhos percorridos por borboletas a poisar em flores magníficas que por vezes ignoramos existirem.

A isto se chama viver.

Mas o melhor deste acto é sabermos que o podemos partilhar com outras espécies do nosso ser. É podermos saborear uma conversa com alguém com quem nos identificamos, com quem partilhamos algo.
Adoro esta troca de palavras, toques, saberes com aqueles a quem chamo amigos.
Amo sentir-me importante para alguém. Orgulho-me quando me confiam segredos. Sorrio quando se lembram de mim. Mando sorrisos quando me lembro de alguém.

É tão bom ser quem sou, como sou e onde sou.

Cada partícula de cada pedaço de cada segundo de cada dia de cada ano de cada ser é algo indescritível.
Todos os que sabem dar valor a cada pedacinho de Céu que existe na Terra podem-se considerar felizes!

Qual crise, qual economia falida, qual governo incompetente, qual amor não correspondido, qual azar menos feliz, qual sorte menos sortuda. Qual quê?!
Estar-se vivo é o primeiro passo para a tão desejada felicidade.


Amo-te, a ti que me lês e me consideras tua amiga.

domingo, 1 de abril de 2007

Uma prisão sem grades

Foto: Louisa Schlepper
Quem me dera poder fugir da minha realidade.....
Desta prisão sem grades......
Desta monotonia doentia....
Desta vida sem sabor....
Desta felicidade superficial....
Desta tristeza profunda...

The missing piece of the puzzle

Foto: www.deviantart.com


De repente apercebi-me que estava a comparar a minha vida ao puzzle que tinha em cima da mesa.
Cada dia, uma peça que encaixa.
Muitas vezes espaços vazios são ocupados com peças erradas. Recomeçamos. Substituímos peças, ocupamos espaços. Voltamos a enganar-nos. Voltamos a corrigir o erro. Parece um círculo vicioso, mas no fundo é apenas aquilo a que chamamos VIVER.

Uma peça que teima a não encaixar.
Passamos anos a procurá-la e esquecemo-nos de ir completando o puzzle com as restantes.
É caso para dizer “e o resto, eram pequenos nadas”.