
A parte animal do ser humano por vezes enoja-me.
Estas necessidades fisiológicas que o nosso corpo necessita e as quais a mente não controla podiam ser descartadas. Porque é que o coração é apenas um órgão que bombeia o sangue e te permite viver e não é apenas um símbolo metafórico para os teus sentimentos? E porque é que os sentimentos não são sentidos no verdadeiro significado da palavra e não passam de reacções hormonais que o teu cérebro efectua?
Dás por ti a permitir que a parte carnal te comande. O desejo é tanto. A dor é intensa. É uma necessidade que quase te faz acreditar que se não a alimentares não consegues sobreviver. Chegas a um ponto que se torna desespero. Cedes. E quando o momento acontece… percebes que a falta de carinho é superior à falta de sexo. Enoja-te o que estás a fazer. Repudias-te contigo mesma. Finges que os gemidos são de prazer quando na verdade são de dor. A vontade é de desaparecer daquele quarto, de nunca mais ver aquela pessoa que não passa de um objecto que usaste naquela noite a pensar que podia satisfazer-te. Tentas despachar o assunto o mais rápido possível. Estás-te a cagar se a pessoa vai ficar com má impressão tua. Ele pode pensar que és uma má queca. Óptimo. Pode ser que nunca mais queira olhar para ti e é um favor que te faz.
Bazas.
Choras o caminho todo até casa. Odeias-te.
Perguntas-te como foste capaz de ser tão puta.
Concluis que faz parte de seres humana. No entanto, percebes que a tua insatisfação se deve à falta de amor, de alguém que te ame. Não te recriminas mais.

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