quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

As necessidades sobrepõem-se...


A parte animal do ser humano por vezes enoja-me.

Estas necessidades fisiológicas que o nosso corpo necessita e as quais a mente não controla podiam ser descartadas. Porque é que o coração é apenas um órgão que bombeia o sangue e te permite viver e não é apenas um símbolo metafórico para os teus sentimentos? E porque é que os sentimentos não são sentidos no verdadeiro significado da palavra e não passam de reacções hormonais que o teu cérebro efectua?

Dás por ti a permitir que a parte carnal te comande. O desejo é tanto. A dor é intensa. É uma necessidade que quase te faz acreditar que se não a alimentares não consegues sobreviver. Chegas a um ponto que se torna desespero. Cedes. E quando o momento acontece… percebes que a falta de carinho é superior à falta de sexo. Enoja-te o que estás a fazer. Repudias-te contigo mesma. Finges que os gemidos são de prazer quando na verdade são de dor. A vontade é de desaparecer daquele quarto, de nunca mais ver aquela pessoa que não passa de um objecto que usaste naquela noite a pensar que podia satisfazer-te. Tentas despachar o assunto o mais rápido possível. Estás-te a cagar se a pessoa vai ficar com má impressão tua. Ele pode pensar que és uma má queca. Óptimo. Pode ser que nunca mais queira olhar para ti e é um favor que te faz.

Bazas.

Choras o caminho todo até casa. Odeias-te.

Perguntas-te como foste capaz de ser tão puta.

Concluis que faz parte de seres humana. No entanto, percebes que a tua insatisfação se deve à falta de amor, de alguém que te ame. Não te recriminas mais.

Queria voltar a flutuar...


http://www.fotolog.com.br/esdificilseryooo/57225782

As memórias tiraram o dia para me assombrar.

Hoje queria contrair aquela doença chamada amnésia.

Esquecer a palavra paixão.

Não me lembrar que nutri qualquer tipo de sentimento por seres do sexo masculino.

Esforço-me diariamente para me completar com o que tenho na vida.

Ocupo os meus dias a fazer as coisas que gosto.

Preencho o meu tempo com pessoas de quem gosto e, essencialmente, que gostam de mim.

A família e os amigos… completam-me. Quando estou com eles não me sinto sozinha.

Mas falta aqui qualquer coisa. Há um vazio que aumenta a cada dia que passa.

Pergunto-me como é que o “nada” consegue ter tanto peso. Não era suposto remeter-se ao que o próprio nada implica?

E nestes momentos a memória é traiçoeira pois obriga-nos a pensar no que é mais recente. Parece que o nosso cérebro tem uma certa dificuldade em vasculhar lá no fundo do baú. A tendência é sempre para aquele passado quase presente. E dói lembrar, pois a ferida ainda não cicatrizou e por mais que saibas que ela não vai infeccionar, ela está lá, ainda a sentes a arder.

Seria bem mais saudável lembrar algo do antigamente. Uma história que com o passar dos anos já consegues recordar como tendo sido lindíssima e da qual tens uma justificação para ter terminado.

Mas não. O par de neurónios que possuo, hoje implicou em focar a sua atenção na última aventura que vivi e que até hoje não consigo decifrar se foi real ou se não passou de uma ilusão. Tento fazer uma comparação com paixões anteriores e de certa forma encontro um padrão. Não nas pessoas em si, mas nas histórias. Todas elas implicaram um desafio. Será que é isso que me move, que me faz sentir borboletas na barriga? Será que se me tivessem provado a realidade do momento eu teria perdido o interesse?

Recordo-me que desta última vez eu estava feliz por sentir que finalmente tinha encontrado alguém com quem fazia uma troca de valores justa. O comércio de sentimentos que se fazia sentir era equilibrado para ambas as partes. Se iria ou não perder o interesse comercial mais tarde, não sei responder. As pesquisas de mercado são feitas perante os factos que se apresentam no momento. Podem-se fazer planos de negócios, mas é necessário saber quais as prioridades dos clientes e o que é que leva à sua satisfação. Talvez se ainda estivesse a negociar contigo, colocava em cima da mesa os meus desejos e vontades e pedia-te para me forneceres os produtos/serviços. Bastava haver comunicação.

Posso entender o porquê de ter terminado. Só não entendo o porquê de teres dado a entender que querias reatar, alimentando diariamente essa ideia, para no final desapareceres mais uma vez sem uma única explicação.

Fizeste tantas promessas que não cumpriste, disseste tantas palavras que nunca foram acompanhadas por actos, que conseguiste afastar-me a mim também. A tua falta de interesse fez com que eu me desinteressasse igualmente. O teu medo consequentemente assustou-me.

Olho para ti e não sei o que sinto. Se calhar não sinto nada. Reflicto. Relembro. Tu tornaste-te numa memória, mesmo quando estás no meu presente. Talvez por isso é que não me és indiferente.

Pergunto-me se o que quero é ter-te de volta. Não sei responder. A balança desequilibra. As incertezas são tantas. Será que as tuas palavras eram verdadeiras? Será que o que vivi contigo foi extraordinariamente intenso para os dois ou foi só para mim?

A frustração é enorme. Primeiro por não ter respostas às minhas dúvidas. E segundo, porque o encaixe que eu senti contigo nunca antes o tinha sentido. Custa-me ignorar os sinais que o meu corpo me dava quando estava contigo, pois demonstravam-me que havia algo ali que era único. Eu não preciso de beijar dezenas de homens para ter a certeza que beijos assim não se encontram ao virar da esquina. Eu só não afirmo que flutuei no último beijo porque a lei da gravidade me desmente, senão seria esse o meu discurso. E quantas pessoas irás tu encontrar na vida com as quais te identifiques tão bem? Eu já conheci meio mundo e decididamente nunca tinha conhecido ninguém que se assemelhasse tanto comigo como tu. Agora questiono-te: éramos assim tão parecidos, ou tu também eras daqueles que me dizia o que eu queria ouvir e não aquilo que querias dizer? Ai… se eu soubesse que foi tudo uma ilusão… morria aqui o que resta da vontade de saber, de questionar, de querer, de… te ter.

Mojo Pin


"Mojo Pin" is the first song on Jeff Buckley's 1994 album Grace.

In Jeff's words, "Sometimes if somebody you feel you need... the whole universe tells you that you have to have her, you start watching her favourite TV shows all night, you start buying her the things she needs, you start drinking her drinks, you start smoking her bad cigarettes, you start picking up her nuances in her voice, you sleep in safe sometimes the most dangerous thing... this is called Mojo Pin." (Astoria, London, UK, 18/01/95)

Reciclagem


Tal como um computador, o excesso de ficheiros no teu disco rígido torna-te mais lento, irritável a quem te rodeia, bla bla… Ora, se reciclares grande parte das coisas que não te fazem feliz na vida, consegues dedicar mais tempo àquelas que são importantes (sem ter de tropecar no que não interessa) e não tens tanto peso nos ombros! E se te arrependeres podes sempre "restaurar" algum dos itens antes de "esvaziares" a dita pasta.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Quero fugir e meditar...


http://www.dailyscrawl.com/seven-years-in-tibet

Como eu gostava de agarrar numa mala e ir para bem longe daqui. Ir para um país diferente onde não conhecesse ninguém. Começar uma vida nova. Estar sozinha.

Sinto que há coisas em mim que precisam de ser mudadas. Deparo-me com defeitos que não quero que façam parte de mim.

Preciso tanto de crescer… De aprender a viver com a solidão. De não depender tanto das outras pessoas. De não dar tanta importância às outras pessoas. Quero tempo para mim. Não quero cair mais na tentação de falar do que não devo com quem não devo. Não quero ser influenciada pelos conselhos dos outros. Quero ganhar segurança em mim. Saber quem sou e afirmar com orgulho todas as opções que tomar. Não quero mais sentir-me insegura sobre mim, sobre os meus actos.

Quero desaparecer para descobrir quantos amigos tenho de verdade. Quem são aqueles que no meu regresso ainda cá estarão. Quero estar longe para aprender a não ter tanta necessidade de partilhar as minhas tristezas, a minha felicidade, a minha vida…com quem não devo. Quero aprender a conhecer as pessoas antes de confiar nelas.

Quero aprender a controlar-me, principalmente no que diz respeito aos impulsos. Saber quais os meus limites. Aprender a lidar com a carência. Ou simplesmente aprender a gostar de estar sozinha e não me sentir carente.

Tenho obrigatoriamente que crescer à força, pois não me sinto bem com algumas das particularidades desta minha pele!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

No caminho certo!

http://clalima07.blogspot.com/2010/08/caminho.html


As saudades que eu tinha de mim, desta minha paz, da tranquilidade que o meu ser me dá, de estar sozinha, de não pensar em ninguém, de pensar em toda a gente, de escrever para mim, de desabafar para mim, de me ler, de me analisar, de me conhecer, de me questionar, de me responder, de me encontrar.

Depois de tanto tempo perdida, sabe mesmo bem ter-me reencontrado.

Amor Vs Paixão


http://www.instituto-camoes.pt/


Irrita-me profundamente perceber que a maioria das pessoas que me rodeia, quer sejam amigos ou simples conhecidos, não evolua sentimentalmente. Por vezes dá vontade de lhes gritar ao ouvido: creeeeeeeeeeeeeesce!

É ridículo ver gente adulta confundir paixão com amor. É triste assistir ao ultrajar do “Amo-te”.

Meus amigos, por alguma razão a nossa língua é complexa e possui várias palavras semelhantes mas cada uma delas com um significado próprio! Que tal começarem a pensar em português? Esqueçam a influência americana e a teoria dos Clã de que “devia ser como no cinema, a língua inglesa fica sempre bem e nunca atraiçoa ninguém”. Um “I love you” pode significar muita coisa como pode não significar nada do que estás à espera. Já o nosso português tem várias expressões, essas sim, que não atraiçoam nem quem as diz nem quem as ouve. Sintam meus queridos. Analisem. Quantifiquem. Qualifiquem. Vivam. Pensem. E aí sim, abram a boca e digam numa só palavra o que vos vai na alma. Porque a diferença de um “Gosto de ti” ou de um “Adoro-te” para um “Amo-te”, na minha humilde opinião, é indescritível!

O amor é um sentimento que nasce do conhecimento, da (con)vivência, requer tempo e dedicação. Não existe “amor à primeira vista”! Tu não amas quem não conheces. Podes nutri-lo por um(a) amigo(a) ou por alguém que imaginas que será o pai/a mãe dos teus filhos, a pessoa com quem pretendes envelhecer. Mas esse amor não nasce em dois dias, é construído.

Amar alguém é amar as suas qualidades, os seus defeitos, os seus pormenores, os seus tiques, os seus dias bons, os seus dias maus, a sua postura num dia de Inverno, a sua postura num dia de Outono, a sua postura num dia de Primavera, a sua postura num dia de Verão, o seu sorriso alegre, o seu sorriso tranquilo, o seu sorriso eufórico, o seu sorriso triste, o seu sorriso falso, o seu passado, o seu presente, o seu futuro.

E acredito que seja nas piores fases de uma vida que ele mais se revela, porque é quando tu sofres a par com outra pessoa, quando choras ao vê-la chorar, quando moves montanhas para lhe colocar um sorriso na cara, quando corres este mundo e o outro só para lhe dar um abraço, quando a sua ausência te consome o interior de saudade, quando não conseguires imaginar a sua morte, quando percebes que a sua existência é um dos alimentos para a tua sobrevivência, aí sim tens a certeza absoluta que a amas.

Amar outra pessoa é deixá-la fazer parte de ti, é permitires que seja uma influência em ti, é seres quem és porque ela existe, é deixá-la ser as partículas de oxigénio que respiras e teres orgulho na combustão de carbono que consequentemente expiras!

Já a paixão não passa de uma atracção, em grande parte física, que vem e na maioria das vezes não fica, não evolui, simplesmente extingue-se. É aquele sentimento de desejo que sentes quando conheces uma pessoa que te atrai, aquele encantamento quando ela diz ou faz algo que te desperta o interesse, aquela ansiedade de a conheceres melhor porque acabaste de perceber que ela tem algo em comum contigo, são as borboletas na barriga, é o adormecer a pensar nela, é acordar e ser o teu primeiro pensamento, é não largares o telemóvel o dia inteiro só para ter uma sms ou um telefonema dela, é viveres dias/semanas/meses ansiosa, é a adrenalina do desconhecido.

E só existem três finais para a paixão: ou se extingue, ou se estagna não tendo futuro ou evolui e sobrevive a par com o amor.

E é quando duas pessoas apaixonadas descobrem que se amam e juntam os dois sentimentos que a chama se mantém e acontecem finais felizes.

Por amor de Camões, deixem de ultrajar a nossa língua e a vocês mesmos com palavras que não acompanham os vossos actos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O encantamento por uma ilusão vs a realidade de mais uma desilusão

O tempo passa e as experiências crescem e a única conclusão que tiro de todos os envolvimentos que tive até hoje é que não passaram de meras ilusões! Não queria de todo generalizar e criticar a classe masculina, pois talvez tenha tido azar ou tenha feito escolhas erradas… O que é certo é que todo o encantamento que senti e me fizeram sentir não passou de uma ilusão.

Não entendo porque é que “os homens” dão tanto quando me conhecem, elogiam, dizem que sentem isto e aquilo e depois de me terem encantado fogem. Parece que sou um troféu… depois da conquista arruma-se na prateleira e segue-se a próxima! Qual é a necessidade de exacerbar sentimentos que não passam de uma mentira? Alguém que me explique! Será que eles sabem o peso das palavras? Não seria mais verdadeiro dizer “gosto de estar contigo” ao invés de um “gosto de ti”. Para quê iludir as pessoas com farsas? Onde é que está o respeito? Porquê fazer promessas para um futuro quando ainda não há certezas? Para quê dar segurança quando se está inseguro?!

Oh raiva!

Os anos passam e as histórias repetem-se! Onde está a excepção à regra? Anseio tanto por viver algo real…

Pergunto-me se o problema estará em mim, nesta minha forma de encarar a vida e os sentimentos, nesta entrega total às ditas ilusões… Não quero deixar de ser assim, por mais que doa no final e por mais dura que seja a desilusão. Quero continuar a acreditar que existe por aí alguém em busca do mesmo “amor incondicional”, que valorize a minha rendição ao outro ser, ao sentimento, às palavras que são trocadas, aos gestos, à companhia, ao respeito, a tudo o que nos envolva. Essa pessoa existe, eu sei! Chamem-me inocente, chamem-me a eterna romântica, chamem-me o que quiserem!

Se o amor entre um homem e uma mulher não fosse tão essencial para o ser humano, então o “normal” seria haver mais pessoas solteiras do que comprometidas, certo? E não me venham com as tretas da “procriação”, pois hoje em dia uma mulher não precisa de um homem (ao seu lado) para ter filhos. É a lei da vida, sim. Mas o companheirismo, o sentimento entre dois seres é superior a ela. Acredito que a indispensabilidade da partilha de uma vida com outro ser humano seja uma necessidade tão básica como outras de nível fisiológico. O mundo está em constante mudança, muitos dos valores das antigas gerações não são os mesmos da geração de hoje, mas a necessidade referida mantém-se desde as eras mais remotas. O amor não nasceu ontem, sempre existiu. Assim sendo, respondo-me a mim mesma que o problema não pode estar em mim. Eu sim estou correcta! Sei o que quero, o que preciso e, acima de tudo, o que mereço.

Se ainda não sei o que é “amar” um homem não foi por falta de empenho da minha parte, muito menos de entrega. E se há coisa para a qual não tenho paciência é para esses jogos do “não podes dar demais se não perdes o interesse”, “tens de dar para trás”, “tens que fazer isto e aquilo”! Não, não tenho nada, porque eu procuro estabilidade emocional e gosto de me sentir especial, importante, adorada pela outra pessoa. Por isso não quero jogos! Quero entrega! Quero companheirismo! Quero alguém que busque o mesmo que eu! Bata as vezes que bater com esta cabecinha, chore o que tenha de chorar, erre o que tenha de errar, a luta vai continuar e o medo da mágoa vai ser bem escondido pois quando houver uma próxima pessoa vou sorrir e acreditar da mesma forma como se fosse a primeira vez!

Um dia vou passar da fase “estar apaixonada” para a fase “amar incondicionalmente”! (E aqui surgiu uma boa frase Nicola ahahaha)

I'm back!





















"Que estranho destino é o meu que apenas me consente paixões ardentes e me faz esgotar em amores improváveis."

José Manuel Saraiva