sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Emptiness...

Imagem: Marília Campos


Por vezes sinto-me invadida por dúvidas. Desconfio de cada pensamento, de cada memória, de cada certeza incerta, de cada momento.
Outras vezes sou esbofeteada com acções inconscientes que vêm provar, ou justificar, que tudo o que estou a viver não é uma ilusão.
Seria bem mais fácil não acreditar em mim mesma se não me deparasse a adormecer todos os dias agarrada a uma foto tua. Se cada vez que saísse à rua não olhasse para cada canto, cada parede, cada banco, cada pedaço de calçada, cada café, cada porta, e não me lembrasse de ti. Mesmo que eu quisesse fugir tu estás em todo o lado, a toda a hora.
Esta cidade perdeu o encanto na hora da tua despedida.
É uma sensação de vazio que não tem descrição possível...
Aos poucos vou-me acostumando.
Tento acreditar que vai passar.
Quero crer na possibilidade do exagero de uma realidade simples que estou a tornar complexa.
Não sei mais o que pensar, o que dizer, muito menos o que fazer.
Limito-me a vaguear entre a multidão que me rodeia seguindo trajectos desenhados pela solidão.
Nestas alturas sabe bem ser cega, surda e muda. Só eu sei o que sinto, o que não sinto, o que quero, o que deixo de querer, o que tenho como certo e o que é incerto.

Oh tempo, passa rápido…

Resta esperar...

Imagem: Louisa Schlepper


Errar é humano. Eu errei. O meu erro foi subestimar o que sentia. Acreditei que a distância iria amenizar o sentimento. Que no dia em que fosses embora iria sentir-me aliviada. Que iria pensar “acabou, não há mais nada a fazer”.
No entanto os últimos dias têm sido os mais difíceis da minha vida. As memórias invadiram-me o pensamento e não dão espaço para mais nada. Acho que voltei a viver mentalmente cada momento, cada toque, cada sorriso, cada abraço, cada carícia, cada palavra…
De repente senti um arrependimento brutesco por não ter sido egoísta. Não lutei por ti, pois na altura pensei que seria preferível ficar a sofrer sozinha do que obrigar-te a ir embora a sofrer também. Devia ter lutado. Devia ter-te dito que o que sentia não era passageiro e que ia atrás de ti até ao fim do mundo. Mas o certo é que também tinha medo das dúvidas que rodeavam a nossa realidade. Sabia o que sentia, mas não tinha a certeza do que tu sentias. E mesmo que o sentimento fosse mútuo, nem tu nem eu poderíamos dar certezas quanto a um futuro juntos. Então, simplesmente fiquei no silêncio…
E se eu tivesse lutado? E se tivesses ficado? E se, e se, e se?... Não existe nada tão frustrante como a realidade das incertezas…
Tenho a certeza que também sentiste algo, mas fugiste. Fugiste de ti, de mim e de tudo o que envolvesse a palavra sentimento, pois teme-lo tal qual a dor. Foi a atitude mais racional, eu sei. Também tentei fazer o mesmo. Infelizmente não consegui. Era bem mais fácil se tivesse a certeza que não sentias nada. Mas cada vez que os teus olhos fugiam dos meus denunciavas-te. Podias mentir com o corpo todo, mas esqueceste-te que os olhos são o espelho da alma.
Como é que momentos tão intensos não poderiam ter significado nada para ti? Ninguém consegue ser tão frio para ficar imune a tudo o que vivemos. A força de cada abraço, o arrebatar de cada beijo, a ternura do entrelaçar das mãos... se não fosse um sentimento partilhado não teria tido a intensidade que teve.
Sendo eu quem sou, como posso simplesmente aceitar uma derrota vinda de um adversário tão fraco como a distância? Ou será que quem me derrotou foi o medo, o teu medo?
O tempo pode até acalmar esta tempestade, mas será que haverá bonança? Ou será que tenho que ir até aos trópicos procurá-la? Eu não me vou acomodar a viver em constante Inverno, quanto muito vou atrás das andorinhas, pois sem sol, sem flores, sem borboletas, sem cor, a vida não tem brilho.


Sinto-me perdida. Não sei se o tempo será o melhor conselheiro ou se apenas tu terás o dom de me dizer qual o caminho que devo tomar…