Monday, March 31, 2008

Quando a inocência se vai...



Fonte da imagem: madalena.blogs.sapo.pt

Tantas vezes me elogiaram o sorriso. Inúmeras vezes me disseram que quando sorria o mundo se iluminava. E com certeza que perdi a conta à quantidade de sorrisos que ofereci àqueles que ao meu lado caminharam. Sorrir era para mim algo tão frequente como o simples acto de respirar. Sorria porque sim.
Hoje perguntam-me onde está o meu sorriso, aquele que me acompanhava a toda a hora em todo o lugar, fosse a rir ou a chorar.
Eu sei que vocês sentem falta dele, mas eu sinto mais!
Tenho saudades de sentir os lábios a rasgar, os olhos a brilhar, a face a arredondar. Queria acordar com a mesma vontade com que adormeço. Gostava de voltar a acreditar que sonhar era o caminho certo para ser feliz.
Mas, cada dia que passa mais a inocência se esvai entre as ruas molhadas por esta chuva que cai de mansinho.

Friday, February 22, 2008

Emptiness...

Imagem: Marília Campos


Por vezes sinto-me invadida por dúvidas. Desconfio de cada pensamento, de cada memória, de cada certeza incerta, de cada momento.
Outras vezes sou esbofeteada com acções inconscientes que vêm provar, ou justificar, que tudo o que estou a viver não é uma ilusão.
Seria bem mais fácil não acreditar em mim mesma se não me deparasse a adormecer todos os dias agarrada a uma foto tua. Se cada vez que saísse à rua não olhasse para cada canto, cada parede, cada banco, cada pedaço de calçada, cada café, cada porta, e não me lembrasse de ti. Mesmo que eu quisesse fugir tu estás em todo o lado, a toda a hora.
Esta cidade perdeu o encanto na hora da tua despedida.
É uma sensação de vazio que não tem descrição possível...
Aos poucos vou-me acostumando.
Tento acreditar que vai passar.
Quero crer na possibilidade do exagero de uma realidade simples que estou a tornar complexa.
Não sei mais o que pensar, o que dizer, muito menos o que fazer.
Limito-me a vaguear entre a multidão que me rodeia seguindo trajectos desenhados pela solidão.
Nestas alturas sabe bem ser cega, surda e muda. Só eu sei o que sinto, o que não sinto, o que quero, o que deixo de querer, o que tenho como certo e o que é incerto.

Oh tempo, passa rápido…

Resta esperar...

Imagem: Louisa Schlepper


Errar é humano. Eu errei. O meu erro foi subestimar o que sentia. Acreditei que a distância iria amenizar o sentimento. Que no dia em que fosses embora iria sentir-me aliviada. Que iria pensar “acabou, não há mais nada a fazer”.
No entanto os últimos dias têm sido os mais difíceis da minha vida. As memórias invadiram-me o pensamento e não dão espaço para mais nada. Acho que voltei a viver mentalmente cada momento, cada toque, cada sorriso, cada abraço, cada carícia, cada palavra…
De repente senti um arrependimento brutesco por não ter sido egoísta. Não lutei por ti, pois na altura pensei que seria preferível ficar a sofrer sozinha do que obrigar-te a ir embora a sofrer também. Devia ter lutado. Devia ter-te dito que o que sentia não era passageiro e que ia atrás de ti até ao fim do mundo. Mas o certo é que também tinha medo das dúvidas que rodeavam a nossa realidade. Sabia o que sentia, mas não tinha a certeza do que tu sentias. E mesmo que o sentimento fosse mútuo, nem tu nem eu poderíamos dar certezas quanto a um futuro juntos. Então, simplesmente fiquei no silêncio…
E se eu tivesse lutado? E se tivesses ficado? E se, e se, e se?... Não existe nada tão frustrante como a realidade das incertezas…
Tenho a certeza que também sentiste algo, mas fugiste. Fugiste de ti, de mim e de tudo o que envolvesse a palavra sentimento, pois teme-lo tal qual a dor. Foi a atitude mais racional, eu sei. Também tentei fazer o mesmo. Infelizmente não consegui. Era bem mais fácil se tivesse a certeza que não sentias nada. Mas cada vez que os teus olhos fugiam dos meus denunciavas-te. Podias mentir com o corpo todo, mas esqueceste-te que os olhos são o espelho da alma.
Como é que momentos tão intensos não poderiam ter significado nada para ti? Ninguém consegue ser tão frio para ficar imune a tudo o que vivemos. A força de cada abraço, o arrebatar de cada beijo, a ternura do entrelaçar das mãos... se não fosse um sentimento partilhado não teria tido a intensidade que teve.
Sendo eu quem sou, como posso simplesmente aceitar uma derrota vinda de um adversário tão fraco como a distância? Ou será que quem me derrotou foi o medo, o teu medo?
O tempo pode até acalmar esta tempestade, mas será que haverá bonança? Ou será que tenho que ir até aos trópicos procurá-la? Eu não me vou acomodar a viver em constante Inverno, quanto muito vou atrás das andorinhas, pois sem sol, sem flores, sem borboletas, sem cor, a vida não tem brilho.


Sinto-me perdida. Não sei se o tempo será o melhor conselheiro ou se apenas tu terás o dom de me dizer qual o caminho que devo tomar…

Friday, January 11, 2008

A incerteza do amanhã...

Imgem de Graça Loureiro

A vida dá muitas voltas…
Hoje temos ideais que amanhã chamaremos de tolices. Hoje amamos pensando que será para sempre e amanhã amaremos com o mesmo pensamento mas alguém diferente. Todos os dias aprendemos a viver, porque a nossa casa é a chamada “escola da vida”.
Irrita-me profundamente não saber se aquilo que sinto e penso se prolongará ou se cairá na efemeridade do tempo. Sei o que não quero, mas nunca tenho a certeza do que quero. Também sei que não sou a única a viver esta realidade, muito pelo contrário, toda a gente a vive, mas nem todos se preocupam com o amanhã.
Gostava de viver cada dia pensando que era o último, que a intensidade do hoje prevaleceria o pó em que me tornaria no amanhã.
Impossível.
Sou demasiado consciente para isso. Penso demasiado. Tenho medo de magoar quem me rodeia e principalmente de me magoar a mim.
Ontem achava que conhecia o amor, hoje conheci a paixão. Haverá diferença? E o que dizer quando aquilo que era tudo se torna em nada e de repente alguém se torna em algo. Não sabes bem como classificar o que sentes, pois um dia colocaste alguém num altar e depois a magia desfez-se sem dares conta. E agora? Como é que consegues saber se é mais uma ilusão ou se é mesmo realidade?
Comparas situações… relembras momentos… e chegas à conclusão que não existe comparação possível, mas mesmo assim a dúvida persiste!
Fecho os olhos e vejo-te, da mesma forma que te vi da primeira vez. Dá-me um arrepio. A química que compõe os nossos corpos fez reacção ao primeiro olhar e ambos explodimos ao primeiro toque.
Lembro como do nada me agarravas pela anca e dançavas comigo ao som da musica de fundo e me obrigavas a voar até outra realidade paralela; ou quando me deitava no teu colo e sentia o encaixe perfeito. Ao teu lado deixei fluir todos os meus desejos. O toque era mais intenso, o olhar era profundo, o beijo arrebatador. Nunca em toda a minha vida fui tão…eu mesma.
Agora tenho saudades das loucuras, dos abraços, do carinho, de tudo, de ti.
Mas será que amanhã sentirei o mesmo? Serás mesmo tu, ou será apenas a necessidade de ocupar o vazio que tende a não ser complementado?

Monday, April 30, 2007

Deixem-me sonhar

Foto: Autor desconhecido


Qual será a distância do querer ao poder querer?
Qual será o melhor caminho para alcançar um sonho?
Qual será a opção correcta: acreditar na possibilidade ou na realidade do impossível?

Quase todos os dias o nosso pensamento é percorrido por muitas dúvidas, mas esquecemo-nos que quase todas elas não são nada mais nada menos que a luta entre a consciência e o coração. É triste eles não viverem em sintonia não é? Ela é cobarde. Ele sonha.

Thursday, April 19, 2007

Uma colisão de sentimentos



Foto: imagem do filme Crash


Todos nós adoramos conversar com os nossos amigos sobre nós mesmos. Penso que é mais fácil para o outro conhecer-nos, do que nós nos conhecermos a nós próprios. Pelo menos comigo acontece. Por vezes quando alguém faz uma descrição sobre mim eu fico a conhecer aspectos da minha personalidade que não fazia ideia existirem.
Eu, quem sou eu?
Não, não vou escrever um texto sobre mim, nem sobre ninguém, pelo menos em específico. Não é essa a ideia.
Já deram conta de quantas vezes disseram a alguém “tens uma força invejável”. Penso que todos aqueles que vivem situações difíceis e as ultrapassam com coragem podem ser chamados de “fortes”, mas no fundo todos eles são invadidos por medo, tristeza, fraqueza... E quanto mais forte a pessoa se tentar mostrar, mais desamparada está ela, vos garanto.
Quantas e quantas vezes não basta um abraço, um sorriso, meia dúzia de palavras repletas de sentimento vindas de alguém que gostamos para nos sentirmos melhor. É tão bom termos amigos com quem podemos contar. Não me consigo imaginar sem um amigo com quem desabafar, sem um amigo a quem abraçar. Os amigos são mesmo o alimento que me dá vida.
Também sabe bem ouvir alguém dizer o quanto se orgulha de nós, principalmente quando é uma pessoa que nos viu crescer e seguiu todo o percurso que fizemos ate chegarmos onde estamos. Mas nem sempre temos esse prazer, pois a maior parte das vezes aqueles que estão mais próximos esquecem-se de nos dizer que gostam de nós, quanto mais valorizar os nossos actos.
Pais e mães que ignoram os filhos. Filhos e filhas que ignoram os pais. Avós que só sabem criticar a terceira geração em vez de abraçarem os netos que fazem parte dela. Nunca ninguém se lembra destas pequenas atitudes a não ser, às vezes, quando a morte bate à porta e é ponderada a quantidade de palavras que ficaram por dizer.
Tudo aquilo que mais queria era sentir o orgulho daqueles que me são próximos e a única coisa que ouço são criticas, estas sem fundamento.
Todos os meus amigos valorizam a pessoa que sou, e tu, tu que me devias conhecer melhor que ninguém, pois criaste-me, limitas-te a dizer-me que sou um fardo. Fardo esse, relembro-te, que te colocou pão e água na mesa por muito, mas muito tempo.
É triste quando lutamos por sonhos que são nossos e por sonhos que são deles, e nem aos nossos nem aos deles eles sabem dar valor.
Eu amo a minha família. Aquela família que a vida me deu a escolher. Os amigos!

Tuesday, April 17, 2007

The voice of my soul



Finalmente descobri a voz da minha alma. Os sons da sua fala. Os acordes da sua transpiração. As frases da sua paixão.
Se cada vez que quisesse dizer algo a alguém e não me soubesse expressar saberia exactamente a quem recorrer. Porque cada vez que ouço a sua voz escuto-me. Cada vez que leio os seus poemas leio-me.
Ela faz-me chorar. Faz me sorrir. Ela mostra-me que estou viva, pois cada vez que a ouço sinto-a. Sinto-a dentro de mim, nas entranhas mais profundas. Dá vontade de me ferir, a mim mesma, de tanta dor que ela me provoca, mas sorrio de tanto prazer que isso me proporciona.
Porque ela sussurra-me ao ouvido as palavras que mais gosto de ouvir e por vezes de dizer. Palavras essas embaladas por sons que conjugados com as nossas duas almas juntas se tornam perfeitos, únicos.
A voz é masculina, mas não tem um tom grave. É sim uma entoação melódica, aguda, forte.
A paixão com que ela é atirada ao exterior nem parece vinda de um homem. É tão feminina. Tão minha.
Pergunto-me como pode uma voz assim ser tão delicada, tão penetrante…

Estou viciada.
Ela é a minha droga.
E agora? Existe algum meio de desintoxicação para ela?
Existe maneira de largar PLACEBO?




My tribute to Brian Molko from Placebo



PS: Hoje é o Dia Mundial da Voz e, quer acreditem ou não, só o descobri uns minutos após ter publicado este texto! Vá-se lá entender esta minha queda para as coincidências...

Thursday, April 12, 2007

A minha Nação anti-Prozac





Ao olhar em redor vejo uma nação viciada em Prozac. Médicos que se tornam dealers ao receitarem anti-depressivos. E um filme que demonstra isso mesmo.
Em qualquer parte do mundo vemos pessoas a darem espaço à tristeza, a darem lugar a lágrimas constantes. Fecham as portas a qualquer aresta de felicidade que possa querer entrar. A única coisa que vêem à sua frente é o mal que a vida pode oferecer e oferece. Esquecem que existe o lado bom.
Uma rua suja, vitrinas com roupas que ninguém pode comprar, pontas de cigarros em cada centímetro de chão, cafés com esplanadas cheias… é a imagem que muitos vemos diariamente. Ao caminharmos entre tudo isto observamos sorrisos, gargalhadas, abraços, olhares… e pensamos nós que estas pessoas são felizes. Serão mesmo? Aquilo que eu vejo é um disfarce constante. Olhos que não mentem. Pessoas que sorriem na rua e em casa derramam lágrimas sangrentas. Gente que pensa todos os dias em encostar uma lâmina aos pulsos.
Mas em que mundo vivemos nós?
Serei eu uma farsa?
Parece que não encaixo nesta Nação Prozac.
Por mais dor que sinta, por mais escura que pareça esta saída, por mais difícil que pareça aceitar uma perda, eu não me consigo sentir infeliz na totalidade do termo. Não aceito derrotas daqueles que me rodeiam. Não suporto conversas depressivas. Odeio ouvir alguém queixar-se disto e daquilo tendo em conta que o mal de que se queixam não é sequer comparável ao que já passei um dia.
Toda a dificuldade que se me apresenta é ultrapassada por mim com sabor de vitória. Todos os erros que cometi são enaltecidos. Todo o meu passado é responsável pela pessoa que sou no presente.
Não é de valorizar tudo isto? É o mal que nos fortalece! É a tristeza que nos faz saborear a alegria.
Muitos são os sonhos que não consegui realizar. Sentimentos que se perderam com o tempo, outros que por mais que devessem não se perdem. Mas, não é isto parte do chamado “viver”?
Não me venham com histórias de que a sociedade não vos aceita. Quem não se aceitar a si próprio nunca irá ser aceite por ninguém!
Sinto muito não ter paciência para ouvir aqueles que recorrem ao meu ombro quando se sentem tristes. Deixei de ter paciência para melodramas sem fundamento. Não suporto ouvir alguém dizer que ama este ou aquele quando no fundo não sabem sequer o significado do verbo amar. Pessimismo não é comigo.
Sinto muito que eu não encaixe nesse vosso “mundinho” triste.
Prefiro ser diferente.
Renuncio à vossa Nação Prozac.




Estas palavras foram dedicadas ao Joel.

Tuesday, April 10, 2007

Liberta-te

Foto: Autor desconhecido



Julgava eu que não iria encontrar assunto para um novo texto.
Que tudo o que iria sair dos meus dedos não teria o gosto amargo da paixão que outrora descrevia.
Enganei-me.
Continuo apaixonada, cada vez mais, pela vida linda que é esta, a que vivemos.

Um acordar com um raio de sol escondido entre uma aresta da janela. Um som de fundo que uma espécie voadora tende caracterizar cada amanhecer. Uma vontade enorme de respirar o exterior. Um passeio por caminhos percorridos por borboletas a poisar em flores magníficas que por vezes ignoramos existirem.

A isto se chama viver.

Mas o melhor deste acto é sabermos que o podemos partilhar com outras espécies do nosso ser. É podermos saborear uma conversa com alguém com quem nos identificamos, com quem partilhamos algo.
Adoro esta troca de palavras, toques, saberes com aqueles a quem chamo amigos.
Amo sentir-me importante para alguém. Orgulho-me quando me confiam segredos. Sorrio quando se lembram de mim. Mando sorrisos quando me lembro de alguém.

É tão bom ser quem sou, como sou e onde sou.

Cada partícula de cada pedaço de cada segundo de cada dia de cada ano de cada ser é algo indescritível.
Todos os que sabem dar valor a cada pedacinho de Céu que existe na Terra podem-se considerar felizes!

Qual crise, qual economia falida, qual governo incompetente, qual amor não correspondido, qual azar menos feliz, qual sorte menos sortuda. Qual quê?!
Estar-se vivo é o primeiro passo para a tão desejada felicidade.


Amo-te, a ti que me lês e me consideras tua amiga.

Sunday, April 1, 2007

Uma prisão sem grades

Foto: Louisa Schlepper
Quem me dera poder fugir da minha realidade.....
Desta prisão sem grades......
Desta monotonia doentia....
Desta vida sem sabor....
Desta felicidade superficial....
Desta tristeza profunda...

The missing piece of the puzzle

Foto: www.deviantart.com


De repente apercebi-me que estava a comparar a minha vida ao puzzle que tinha em cima da mesa.
Cada dia, uma peça que encaixa.
Muitas vezes espaços vazios são ocupados com peças erradas. Recomeçamos. Substituímos peças, ocupamos espaços. Voltamos a enganar-nos. Voltamos a corrigir o erro. Parece um círculo vicioso, mas no fundo é apenas aquilo a que chamamos VIVER.

Uma peça que teima a não encaixar.
Passamos anos a procurá-la e esquecemo-nos de ir completando o puzzle com as restantes.
É caso para dizer “e o resto, eram pequenos nadas”.